No passado mês de Maio, a jornalista Pattie Sellers fez a primeira entrevista “social” (online) ao Sr. Warren Buffett a propósito do seu mais recente artigo (essay) em que ele reflecte porque é que as mulheres são a chave para a prosperidade dos Estados Unidos. A entrevista com participação de audiência física e virtual vai para além do artigo, incluindo conselhos para os jovens de hoje.
Buffett faz uma introdução e viagem ao passado do seu país relembrando que embora os EUA tenham tido aprovação do Direito a Voto Feminino em 1920, não é só até 1981, que a primeira mulher é nomeada pelo presidente Reagan, para o Supremo Tribunal da Justiça. Essa mulher chamava-se Sandra Day O'Connor.
Chega ironicamente a mencionar o que ele designa sobre a Lotaria Ovárica, pois acredita que, tendo nascido ele próprio em 1930, tivesse ele nascido mulher jamais seria quem é hoje. As suas irmãs foram educadas para se concentrarem em “festas de jardim”.
A propósito da principal mensagem do livro “Lean In” de Sheryl Sandberg, COO do Facebook, que incentiva as mulheres a serem mais assertivas nas suas carreiras (e ajudarem-se mais umas as outras), ele faz um paralelismo sobre uma mulher brilhante, que teve oportunidade de conhecer muito bem, a falecida Katharine Graham, CEO do Washington Post. Embora vencedora dum prémio Pulitzer pela sua biografia, foi a primeira mulher na Lista dos CEO’s da Fortune 500, e nunca, até ao dia em que morreu, deixou de ser insegura, e sentir-se inferior relativamente aos homens.
Buffett proporciona-nos uma entrevista com toda a frontalidade, humildade e honestidade que poucos milionários, quase nenhuma figura pública faria e nenhum político imaginaria fazer. Buffett faz comentários sobre a Berkshire Hathaway não ter política de diversidade (e chega a afirmar muitas destas politicas nos relatórios de outras empresa são manobras de diversão), que muitas vezes tomou decisões sem perguntar à sua Admnistração (afinal a empresa é dele!), que nunca descriminou género ou raça, mas sim intelecto e carácter, que bem ou mal, até 2003 não tinha nenhuma mulher na admnistração da Berkshire excepto a sua primeira esposa, Susan; que não tinha uma relação próxima com a mãe. Estes entre tantas outros factos e verdades sobre este homem fascinante que não pára de me ensinar.
Um dos grandes ensinamentos da sua carreira, diz, “é que o grande erro não é contratar uma pessoa em prol da outra, o erro é contratar as pessoas erradas”.
Mas não é até uma aluna lhe perguntar como ele definiria sucesso, que Buffett me surpreende. Ele responde que o importante não é o dinheiro ou fama que atingimos e o que queremos ou conseguimos da vida. Não importa se temos o nosso nome na rua, se atingimos recordes mundiais ou impérios financeiros; se não temos pessoas que nos amam e se preocupam connosco, então não temos sucesso. Tudo isto poderia ser o habitual politicamente correcto até ele utilizar um exemplo peculiar para o demonstrar. Uma senhora, que tinha sido vítima do Holocausto, uma judia de origem polaca, que ele conheceu poucos anos antes dela falecer, em Omaha, EUA disse-lhe um dia: “Warren, eu sou muito lenta a fazer amigos, porque quando olho para uma pessoa, penso para mim mesma, se eles um dia me esconderiam”.
Obrigada pelos ensinamentos.
Rita: qual é o link para a entrevista? EM relação ao Warren Buffett, tenho um projeto para um dia ler as cartas que ele envia todos os anos aos acionistas da Berkshire Hathaway. http://www.berkshirehathaway.com/letters/letters.html Mas antes disso, quero ler uma biografia dele, só ainda não decidi qual. Ou seja, tenho andado a adiar esta coisa, porque não há tempo para tudo! Beijos e continua.
ReplyDeleteobrigada pela participação.
DeleteAqui está o link da entrevista: http://money.cnn.com/video/magazines/fortune/2013/05/02/f-warren-buffett-sellers-fortune-full-interview.fortune/index.html
e o link do artigo que ele escreveu:
http://money.cnn.com/2013/05/02/leadership/warren-buffett-women.pr.fortune/
“We are all in the same boat in a stormy sea, and we owe each other a terrible loyalty.”
ReplyDeleteG. K. Chesterton
Quanto às mulheres serem um instrumento para a prosperidade...claro que são. Seja ele qual for.